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quarta-feira, 28 de outubro de 2020

Ideologias e seus Impactos no Brasil de 2015 a 2018

 

 Este texto é uma adaptação de meus "comentários" nas redes sociais entre os anos de 2015 e 2018

Etimologia na Economia e na Política 

Vamos considerar que o povo está interessado em entender e esclarecer sobre política e ninguém está simplesmente querendo provar que está certo sem dar o braço a torcer... Não é preciso especialização, só linguagem clara, ou seja o uso da etimologia das palavras, para explicar de modo resumido: 

Liberal-Ismo: Doutrina (centrada) na liberdade, principalmente a liberdade de comércio. 

Esta doutrina ganhou força ao se contrapor às monarquias no final do século XVIII (18), prometendo maior liberdade ao “povo”, mas favorecendo os comerciantes mais enriquecidos, é claro. O liberalismo não definiu onde acaba a liberdade dos comerciantes e empresários bem sucedidos, mas supondo que não foi um movimento extremista, o liberalismo deveria prezar pela concorrência de mercado clara e justa, sem oligopólios, respeitando leis comerciais, ambientais etc. Porém não foi o que aconteceu: a colonização escravagista seguida pela industrialização apoiada em mão de obra barata gerou uma desigualdade social onde os poucos mais ricos juntaram quantidades de riquezas suficientes para sustentar milhares de famílias por várias décadas, talvez por um ou dois séculos. Já os mais pobres neste sistema, além de não terem renda para viver com dignidade, cresceram muito em número. Resumidamente, seus maiores apoiadores foram a Inglaterra, os EUA e países "aliados", desde o fim do século XVIII até o fim da guerra fria no século XX (20). 

Social-Ismo: Doutrina (centrada) na sociedade, resumidamente em um estado ou nação. 

Este movimento político/ filosofia foi ganhando força no final do século XIX (19), mas só se consolidou no século XX. Seus apoiadores eram críticos do liberalismo que havia fomentado tanta desigualdade e miséria, beneficiando apenas pequenas parcelas do setor privado. 

O que aconteceu em muitos países que adotaram este sistema (como a URSS), foi que os representantes da nação se comprometeram de "achatar a economia", ao menos em partes através de estatizações, fornecendo uma "infla" estrutura que falhou por uma série de motivos. Houveram casos de incompetência de gestão pública, mas o fator principal foi a concentração de poder nos "representantes do povo" que obviamente corrompeu o estado. Este sistema concorreu com o liberalismo desde 1946 até 1991, quando foi derrotado pela doutrina (neo) liberal com o fim da guerra fria e a dissolução da URSS. 

Comun-Ismo: Doutrina (centrada) no bem comum, ou seja, maior equidade / igualdade de poder além (acima) do conceito de estado/nação. Uma utopia, a qual os países mais próximos disto são alguns dos sociais democratas onde a diferença de renda é mínima. O comunismo nunca foi implementado em país algum. 

Neo Liberalismo: Liberalismo "novo", incentivado entre os anos de 1986 e 1991, pelas instituições financeiras e corporações que não quiseram perder suas fortunas : O neoliberalismo passou a propor que os governos investissem cada vez menos nas estruturas básicas (infraestrutura) de suas nações. Alegando que todo governo é corrupto, que todo setor público é ineficaz, e maliciosamente chamando investimento em infraestrutura de "gastos públicos", o neoliberalismo propôs financiar diversos setores e ações, objetivando lucro ao setor privado composto por corporações/ grandes empresas multinacionais. 

Em prática, neoliberalismo é o "Capital-Ismo" sem regulação, ou seja, selvagem. Mesmo porque, etimologicamente o capitalismo é a doutrina do capital, onde quem tem mais dinheiro ou mais recursos, tem mais poder: "Sugere" leis (lobby), "financia" (compra) políticos e prega para que todos busquem seu próprio acúmulo de capital (meritocracia). 

Porém dinheiro não é produzido infinitamente para alegria de todos, pois há o lastro. E aqueles que realmente se beneficiam deste sistema não querem acabar com o lastro, é óbvio... 

Invenções Repetidas 

No século XII a.C (12 antes de Cristo), após as guerras que causaram a destruição dos registros das relações reais e religiosas e do sistema comercial em torno do Mar Mediterrâneo e do Levante, alguns poetas gregos simplificaram e distorceram a história das civilizações (micênica, hitita, cananéia etc), digamos que, de certo modo, criando a mitologia: Os "deuses" impulsivos traiam, matavam, enganavam, mas gostavam dos mortais. Mortais que passaram a venerar esses "heróis". Já os titãs, os gigantes e feras monstruosas eram responsáveis por tudo de ruim que acontecia no mundo. 

A história se repete e os mais ambiciosos e corruptores continuam evitando mostrar suas faces. Só inventam heróis e vilões. Embora exista a tendência das pessoas praticarem o "culto às personalidades" (idolatrar famosos), na política do Brasil é muito mais comum inventar super-vilões: De tempos em tempos pegar um ou outro indivíduo (geralmente político) e culpá-lo por tudo o que acontece de ruim no país. Isto faz parte do discurso anti-política, que acaba sendo anti democrático também. Tal discurso só favorece quem tem mais poder, geralmente poder econômico (dinheiro, bofunfa, grana...) 

O brasileiro médio (que ganha um salário mínimo) têm que trabalhar, cuidar da família, pagar impostos e cumprir com suas obrigações cívicas, então tempo para fazer política, se instruir e para participar de debates, não têm. 

Os típicos brasileiros acordam cedo, se espremem suados em péssimas conduções públicas, se alimentam mal e chegam a altas horas da noite da labuta diária, para, depois, serem chamados de vagabundos por escravagistas endinheirados, meganhas, bandidos ou governantes que não lhes permitem aposentar. 

O que entrou no governo pós 2015? 

Durante o governo federal mais"esquerdista" (petista) a tomar posse no Brasil, o país ficou com rabo preso ao oligopólio financeiro, (BB, CEF, Bradesco, Itaú/Unibanco, Santander e mais um banco gringo que não me lembro agora) através de uma dívida pública exorbitante. 

Um governo socialista, popularmente chamado de esquerdista e erroneamente chamado de comunista, jamais se sujeitaria a tal situação, então os governos petistas foram no máximo de centro-esquerda, devido a algumas iniciativas sociais (bolsa-família, PROUNI etc). 

Meses antes do show "evangélico" (o impedimento, ou "impeachment", de Dilma Rousseff do PT, o Partido dos Trabalhadores), regado por frases do tipo: "Por Deus, pela família" e blablablá), a líder petista, já discursava a favor do mercado. 

Mas era muito tarde para Dilma se curvar diante "o mercado" e a presidência do Brasil foi assumida por um senhor claramente oportunista do "Partido do Movimento Democrático Brasileiro": Michel Temer guinou o país a direita, chegando a falar abertamente em algumas entrevistas que o PT foi removido do poder através de um golpe porque não aceitou a agenda privatizadora e anti infraestrutura solicitada por certos setores privados, como a Chevron, entre outras grandes empresas. 

O PMDB, um partido que praticamente age como bancada de negócios, fez o previsto: Deixou de arrecadar impostos dos grandes empresários multimilionários, sucateando a infraestrutura do Brasil. Afinal o que esperar desse povo pró oligopólio, pró obscurantismo? 

Retrospectiva "Temerosa"

Uma famosa emissora de televisão pertencente a uma tal família Marinho, fez a seguinte Retrospectiva da virada de 2017 para 2018: 

"12 milhões de desempregados, o governo atual (Temer - PMDB) aumentou os gastos e arrecadou menos impostos deixando os cofres públicos vazios" 

E a pérola contraditória em seguida: "... a gastança dos anos anteriores (Dilma - PT?) foi que deixou o país em crise". Assim seguiu a desinformação em massa: Deu a entender que apesar dos erros grosseiros e da corrupção do presidente Temer, o super vilão inventado pela Globo foi a Dilma e/ou o Lula, que presidiram o Brasil antes do PMDBista. 

MBL: Movimento "Brasil Livre" - Livre de que? 

 Integrantes do MBL saíram em fotografias apoiando políticos como Eduardo Cunha e Bolsonaro (que parece uma terrível mescla de Bozo com Nero). Suspeito de uma série de crimes, Cunha foi preso em 2016, então o MBL "descobriu" que o cara era corrupto até o osso... 

O MBL apoiou a posse do Temer e quando descobriram em 2018 que o ex-vice estava atolado em esquemas fraudulentos, passaram a fingir que eram neutros. 

O MBL fez eventos com Gilmar Mendes, que defendeu o suspeito Aécio Neves (PSDB) até cansar e posicionou-se contra a bombástica delação da Odebretch... 

Como acreditar que o MBL é um movimento pelo BEM do Brasil? Para mim é impossível.

O Movimento Brasil Livre (MBL), deveria mudar seu nome de acordo com seus ideais: É um movimento de indivíduos de classe média alta que abominam as causas sociais, desprezam a infraestrutura do Brasil e seguem interessados em ganhar poder e influência na política. Para isso espalham mentiras sobre seus desafetos políticos, tentando esconder o fato que eles também se envolvem em esquemas de fraude e corrupção. Poderia se chamar Movimento Boataria Livre ou um nome mais feio, representando seu envolvimento em "sujeira" (fraudes, falsidade ideológica, propaganda enganosa, crimes etc). 

Lado na Política 

 Acabei de mostrar que o discurso antipolítica tem um lado - sempre serve a alguém. E este alguém não é a maioria: se refere a uma minoria detentora de um poder não político, ou seja, o poder econômico, o poder religioso e o poder militar. Isto não ocorre só no Brasil, pois também acontece em outros países, como nos EUA, onde o candidato republicano (de direita) Donald Trump venceu as eleições com discursos racistas que jogavam a culpa dos problemas dos EUA em latino americanos e em muçulmanos. 

Portanto quem grita "foda-se a política" elege Trump e quem acredita em conspiração "latina-comunista" também elege Trump sim, caros leitores! Quando as pessoas destroem o centro e a esquerda sobra somente a direita hiper capitalista, ignorante, xenófoba e antipolítica. 

Instituição Anti Infraestrutura 

Durante o governo Temer, propagandas mentirosas de teor anti-político circularam livremente pela internet: "Se você é contra o limite de verba para infraestrutura, você é contra o Brasil." 

Isto é a tradução da estranha petição da Empiricus que espalhou-se da Folha de São Paulo ao Facebook. Como já mencionei, os grandes empresários multimilionários e seus apoiadores e porta-vozes, chamam verbas para infraestrutura de "gastos públicos". Foi assim que o neoliberalismo pregou a austeridade, destruindo transportes públicos. sucateando instituições de saúde e ensino gratuitos e até mesmo desfazendo setores de segurança pública em variados países pelo mundo, desde o início dos anos 90. 

Valentia um tanto Covarde 

Embora o termo valente seja usado para definir uma pessoa corajosa, o mesmo não se aplica ao termo "valentão". Este termo está mais próximo da palavra inglesa "bully". O valentão não é uma pessoa corajosa: É o que gosta de agredir os outros. 

Este tipo de pessoa é comum de se encontrar, e existem inúmeros relatos sobre eles principalmente em escolas. Na verdade o valentão está mais para covardão: é o típico cara fortão que sai procurando brigar com o mais fraco, ou pode ser aquele cara que se junta com outros para agredir alguém que está sozinho. 

Posso dizer que tenho a experiência empírica em ser alvo deste tipo de gente, como por exemplo, lembro-me que quando eu estudava na 5ª ou na 6ª série do ensino fundamental, dois caras se juntaram e foram me socando por um quarteirão todo. Aquilo ficou na minha mente por alguns anos e obviamente é uma situação em que nos sentimos indefesos, impotentes e forçosamente humilhados. 

Além do ambiente escolar, onde este tipo de valentão pode prosperar na sociedade? Viver com oportunidades para provocar, humilhar e agredir os outros exigem um ambiente onde a paz não seja bem vinda, ou exige um ambiente onde o confronto seja comum - Ou o cara entra no "mundo" do crime, ou na polícia, ou no exército. 

Não há espaço para um valentão nas áreas práticas (profissionais) de humanas, sequer nas biológicas ou nas exatas. O valentão não vai se satisfazer construindo, nem estudando, afinal ele precisa mostrar que é melhor que alguém, agredir alguém, ou ambas as coisas. 

Daí o porquê é tão comum vermos casos de violência policial e notícias sobre criminosos violentos. Daí o porquê um cara que odeia estudar, odeia negros, odeia mulheres, odeia o público LGBT e que fala em metralhar os outros, ganha as eleições. Em 2018, muita gente achou que estava votando em um capitão que ia "por o Brasil nos eixos" na base da valentia. Como um grosseiro e bizarro herói - anti-herói. 

Essa "valentia" vem da formação da pessoa. Independente se você acredita em personalidade ou não, o fato é que a criação e a vivência das pessoas essencialmente determinam padrões de comportamentos. O comportamento valentão foi cultivado por décadas, ou talvez, durante séculos, seja no Brasil, ou em outros países. O fato é que no Brasil, este é o comportamento adorado e propagado em certos ambientes e "tribos sociais", como fazendeiros, homens do interior, em cursos superiores elitizados como medicina, engenharia e direito, em quartéis, na polícia, no tráfico etc. 

Pouco ou nada foi feito para combater este "ensino" torpe que se propagou por diversos setores da sociedade... Até que em 2018 colhemos o fruto podre no Brasil. 

Conclusão 

É possível combater o elitismo e o culto à violência... com mais violência? 

Não faz sentido. A direita que sempre serviu o elitismo está no poder brasileiro desde 2015 (fora governos anteriores ao Lula etc). Não houve melhoria alguma desde então. Eles se apoiam em falácias e têm o apoio da mídia e do poder militar. As críticas feitas ao governo Bolsonaro, por mídias como a rede Globo, são meras cortinas de fumaça. Enquanto SBT e Record apoiam abertamente a demolição da infraestrutura e os discursos brucutus de valentia do governo "Bozo-nero", a Globo apenas tenta abraçar as causas identidárias, fingindo uma aliança anti governo. 

É preciso paciência para instruir quem ainda quer entender e melhorar o país... e é preciso militância sim, seja pró infraestrutura, ou a favor dos mais vulneráveis. Mas é preciso união entre estes setores. Pode parecer coisa de uma "esquerda florida", mas não é tempo de generalizações: Não deve-se odiar todos religiosos porque alguns apoiam o governo bozo-nero. Não é útil criticar o movimento anti-racista só porque alguns negros enriqueceram e vivem "entre as elites". É preciso identificar aliados potenciais interessados em humanizar o país e dar condições dignas à sociedade, buscando união, afinal sectarismo e segmentação só servem aos gananciosos e a quem já está em posição de oprimir.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

As diversas facetas de esquerda e direita e as confusões que causam

Para variar (termo irônico), estamos vivendo mais uma vez uma discussão estúpida sobre esquerda x direita, graças aos conflitos causados por neo-nazis americanos e à vontade de alguns setores da nossa sociedade de descolarem sua imagem dos 'extremistas'. Primeiramente vamos deixar bem claro: quem defende nazismo não sabe viver em sociedade. Se a pessoa não sabe viver em sociedade, ou ela se adapta ou é banida de alguma forma, pois (infelizmente, já que eu gostaria que cada ser humano tivesse o poder de criar uma dimensão paralela e viver do jeito que quisesse no seu mundinho) é impossível viver fora da sociedade. Pensamentos racistas, homofóbicos, eugenistas, etc, devem ser mantidos para você mesmo (o ideal é repensar suas crenças, mas eu defendo o direito de cada um poder ser canalha pelo menos dentro da própria cabeça).

Esse tipo de pensamento externado deve ser reprimido, pois nada virá dele além de conflito irracional (irracional porque não há como construir diálogo a partir de tais ideias). Se é permitida certa liberdade de expressão para ideias de ódio e medo, é permitido a evolução desses pensamentos até que ocorra ... bem, qualquer imbecil conhece essa parte da nossa história, uma entidade, que é difícil de ser categorizada como humano, matou outros que supostamente eram da mesma categoria que ele (humanos) simplesmente porque eram de outra etnia, ou de uma biologia diferente, ou com ideias adversas às suas.

Um desenvolvimento possível das ideias propostas no parágrafo anterior poderia ser: qualquer tipo de ideia que rompa com o status quo, com o sistema vigente ou ainda com a democracia devem ser reprimidas da mesma forma, já que ameaçam a ordem social. Esta pode ser a ideia por trás do projeto que um parlamentar peculiar lançou: banir qualquer simbologia ligada ao comunismo/socialismo. Eu preciso discordar dessa ideia por vários motivos, o principal deles é: o socialismo/comunismo visa reordenar a sociedade de forma igualitária, ou seja, em teoria, ninguém precisa morrer ou ser banido para a lua, e todos devem ter os mesmos direitos.

É utópico? Claro que sim, se fazer isso sem ninguém morrer fosse fácil o mundo seria outro. Conflitos resultarão em mortes, quem detém o poder nunca irá abrir mão facilmente. Entretanto o diferencial para o nazismo é este (reordenar a sociedade de forma igualitária). Que é o inverso do que o nazismo propõe, já que é baseado no eugenismo e acredita que certos humanos são melhores do que outros. O que é proposto é justamente uma sociedade de castas ou simplesmente o genocídio daqueles que são 'inferiores'. Na teoria, não há como ligar essas ideias diametralmente opostas. Já na prática, a diferença não é tão pura assim, e provavelmente a realidade cinzenta é que permite esse tipo de especulação estúpida de ideários.

Na prática, diversos sistemas de governo autoritários/totalitários surgiram com base no sistema vigente ou com bases revolucionárias. Governos totalitários tendem a formar aquela face monstruosa que a 'maioria' atribui a uma ditadura. A velha máxima, "o poder corrompe", poderia explicar o que acontece com os governantes da nossa espécie. Trotsky não morreu sem motivos. O poder deve ser viciante, pois quem consegue algum, quer mais e mais, os ideais parecem perder força, se é que existiram na mente de alguns, a dissimulação é uma grande ferramenta para angariar poder. A máxima serve para os supostos sistemas democráticos também, quem é brasileiro convive diariamente com os exemplos (expostos como feridas pela mídia quando a interessa).

Foi necessário desenvolver essas ideias para deixar clara a diferença entre nazismo x socialismo. Outra coisa deve ser deixada clara antes que possamos discutir as nuances de esquerda e direita: NÃO EXISTE GOVERNO COMUNISTA. Os países que assumiram nomes que empregam o termo comunista, poderiam ter a pretensão de um dia se tornarem um (país comunista), ou apenas gostavam da propaganda enganosa, todos esses países são no máximo SOCIALISTAS. De acordo com a teoria marxista, o comunismo somente poderia acontecer como etapa evolucionária final da sociedade, após o socialismo ter sido bem-sucedido no mundo. Não há comunismo sem a evolução global da sociedade. O comunismo como ideia se aproxima muito mais do anarquismo, pois a necessidade de um Estado seria muito menor do que é no socialismo. A diferença principal (entre anarquismo e comunismo) é que o anarquismo ignora as etapas evolucionárias propostas pelo marxismo.

Pois bem, a causa supremacista branca, poderia sim, surgir em um sistema totalitário de esquerda, afinal, há relatos de perseguição a homossexuais em regimes de esquerda, embora eu desconheça a existência de um grupo desses na esquerda (supremacista branco). E por que poderia? Porque a realidade não é preto no branco, as contradições fazem parte do tecido social, daí os diversos nuances de esquerda e direita.

A diferença entre direita e esquerda não é necessariamente a mesma diferença de um pensamento neo-liberal e um pensamento socialista (um mercado livre x um mercado completamente controlado pelo estado). Dentro do capitalismo, os economistas keynesianos defendem uma regulamentação do mercado pelo estado (uma solução proposta por Keynes no pós-crise de 29), e são considerados de esquerda. O surgimento dos estados de bem-estar social é pautado no keynesianismo, e estados de bem-estar social, são estados capitalistas considerados de esquerda. Entretanto, a ditadura militar brasileira era baseada em uma economia gerida pelo estado, sob forte intervenção, assim como alguns candidatos do período democrático, como Enéas, defendiam uma economia nacionalista, com regulamentação do estado, e todos são considerados de direita.

O ponto principal então, da diferença entre esquerda e direita, não está na regulamentação do mercado e na importância do estado, e aí voltamos láááá no começo do texto, quando discutimos a diferença entre socialismo e nazismo: a diferença é o que se quer priorizar a partir dessas políticas públicas, uma sociedade igualitária ou uma sociedade de castas (meritocrática ou não).

Veja, ao citar uma sociedade de castas eu não quero dizer que toda a direita é nazista ou eugenista, isso é absurdo. Os E.U.A. são baseados em uma sociedade de castas, eles pregam a liberdade individual e a meritocracia justamente como meio de um indivíduo subir nas castas. Países capitalistas também vêem a satisfação de seu povo de acordo com o tamanho de uma classe média, é considerado ideal uma classe média gorda, a casta que abarca a grande maioria do povo, pelo menos no discurso democrático capitalista.

Em teoria, como média de ideário, já que as ideias variam em um largo espectro, a esquerda visa diminuir a desigualdade entre essas castas (ou classes sociais), garantindo o mínimo para a casta mais baixa enquanto esse processo se desenvolve (uma das formas de medir essa desigualdade é o Índice de Gini). E a direita visa um fortalecimento da economia, o que, para alguns dentro dessa corrente, resultará em melhoria de vida para as castas mais baixas, já que as castas mais altas terão mais dinheiro para investir em negócios. Ou seja, para a esquerda, reduzir essas diferenças é justiça social, para a direita, inchar a classe média através da meritocracia é suficiente.

Discursos nacionalistas e protecionistas podem ocorrer nos dois lados do espectro político. Discursos de mercado livre ocorrem em parte da direita apenas. Discursos pró-globalização ocorrem na direita, mas sua contra-parte seria o comunismo utópico na esquerda, ambos acabam se chocando com os ideários nacionalistas. E discursos eugenistas, bem, não deveriam nem ser considerados, se você gosta disso, crie um mundo fantasioso na sua mente onde você é o ditador do mundo e deixe fechado até o dia da sua morte.

Enfim, se você quer descolar a imagem de seu grupo político dos manifestantes neo-nazis, não precisa criar falácia intelectual acusando os manifestantes de pertencerem ao grupo que você diverge, quando toda a história da sociedade nega tal fato. Basta enfatizar que o seu grupo pensa diferente desses boçais, assim como no grupo político oposto ao seu, deve haver indivíduos que querem descolar a imagem deles dos boçais que existiram por lá. Apoiar-se nos subterfúgios de nomes de partidos e críticas ao sistema vigente desses, é utilizar uma análise rasa como escapismo. Basta analisar quem Hitler perseguiu e quais as mudanças que ele aplicou na estrutura social de seu povo para a análise rasa esboroar. Ele fez reforma agrária? Extinguiu propriedade privada? Promoveu justiça social? A verdade é uma só, do ponto de vista econômico, a Alemanha se apoiou fortemente em um sistema capitalista nacionalista focado em desenvolvimento econômico, e do ponto de vista ideológico se apoiou em uma das maiores sandices que a humanidade criou, e que não deve ser tratado como direita, esquerda ou o diabo que o for, só como sandice mesmo.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Horário Flexível x Aumento Salarial

Existe maior desperdício de energia mental do que elaborar uma redação? Seja para uma entrevista ou para um vestibular, o destino final do esforço empreendido por você ao raciocinar sobre um tema e expor sua opinião, é sempre o mesmo: o limbo.

Cansado desse desperdício, publico abaixo a redação utilizada no vestibular que prestei recentemente ( o tema sugerido era baseado em dados de uma pesquisa que relatava a preferência de 43% dos entrevistados em negar um aumento salarial de 10% em troca de mais flexibilidade no trabalho, essa porcentagem muda para 36% se o aumento fosse de 20%):


O que é mais importante: um salário maior ou um horário de trabalho flexível?

Podemos desmembrar as duas alternativas do título de nosso texto em mais duas perguntas:

O que significa ter um salário maior?

Bem, 10 ou mesmo 20% de aumento podem significar muito para quem está 'nas cordas', possibilitando talvez 'sair do vermelho'. Mas a verdade é, o que realmente significa um aumento nessas proporções? Você ficará rico? Poderá parar de trabalhar em breve? Resolverá todos os seus problemas mais facilmente? Receio que não.

Por mais que ideologias neoliberais propagandeadas pela grande mídia, Hollywood, igrejas neo-pentecostais e blogs direitistas espalhem, no fundo, o brasileiro sabe que não irá ficar rico desta maneira, ou se não sabe, acredita que não será por meio de aumentos paulatinos fornecidos pelas empresas.

Então qual o efeito real de uma proposta de aumento salarial no imaginário dos profissionais? Além da já citada, 'saída do vermelho', talvez comprar algumas coisas a mais, ou comer melhor, sair mais, mas para aproveitar melhor a vida, tempo é até mais relevante do que dinheiro.

E o que significa um horário de trabalho mais flexível?

Talvez mais tempo. E embora o famoso jargão 'tempo é dinheiro' deixe de maneira explícita como funciona uma sociedade capitalista, talvez tempo represente uma perda ou ganho de dinheiro, mas representa uma coisa muito mais importante: vida.

A vida passa, e passa rápido. Tendo em conta a incapacidade do homem, particularmente o homem moderno, decidir realmente (pelo menos para a grande maioria) como viver sua vida, cabe a ele escolher o melhor paliativo para este mal.

E no caso, o melhor paliativo é poder gerir minimamente o seu tempo através do horário de trabalho mais flexível.

sábado, 4 de julho de 2015

IDEOLOGIAS POLÍTICAS E ESTRUTURA DO ENSINO PÚBLICO

Encontrei este texto em um disquete (sim, um triássico disquete!) e embora simplista e imaturo, achei interessante essa postura pouco diferente (pelo menos nesse assunto) do meu eu de 25 anos, da postura do meu eu 10 anos mais velho, e foi o que me motivou a criar esse blog para fomentar a discussão e registrar nossas opiniões.

O texto (um tanto simplório e ingênuo) é um trabalho para a disciplina de Política e Organização da Educação Básica, da Faculdade de Educação, e foi escrito por volta de agosto de 2004:


            


Devo iniciar a discussão sobre o ensino público no Brasil pelos pressupostos da nossa sociedade, o que leva diretamente ao modo de produção desta, que no caso seria o capitalista, fortemente influenciado pela ideologia neoliberal, que não afeta somente a economia, mas a sociedade em geral.

Parte dos intelectuais da área de humanas, entram na discussão sobre o sistema econômico vigente e as ideologias que o movem, já que as pesquisas nessa área, que tentam desvendar a fonte e o processo histórico dos problemas de nossa sociedade (de ordem econômica, política, espacial, educacional, etc.) os conduzem à ela. Mas, por quê a política neoliberal, reconhecida como vilã por parte dos intelectuais, continua à ditar os passos de uma grande maioria de governantes? Estaria a crítica desses autores sendo vista como mero discurso ou fantasia? A ideologia neoliberal teria cegado nossos governantes para outras alternativas políticas? As elites beneficiadas pelo sistema exercem um poder de pressão tão grande à ponto de sufocar a autonomia dos governantes? As políticas sociais conseguem ser efetivamente benéficas para os setores excluídos da sociedade, mesmo dentro de uma política econômica neoliberal? Tais perguntas levariam a uma longa e interessante discussão, mas que por hora devemos focar no tocante ao ensino público atual.

Cunha (1980) esclarece muito bem a realidade do ensino público atual, ao desvendar seu processo histórico e suas raízes no liberalismo. Devo confessar que parte do discurso liberal é interessante (ao contrário do discurso neoliberal que Anderson nos mostra tão bem), principalmente por parte de Condorcet, Diderot e Lepelletier, mas como o próprio Cunha afirma ele dissimula a característica intrínseca do capitalismo: a desigualdade. Se atualmente acreditamos (ou mais acertadamente, nossos representantes políticos acreditam) que é necessário seguir as políticas do FMI para nos desenvolver, políticas essas que seguem a cartilha neoliberal, e portanto incutem em redução dos gastos estatais com o bem-estar social, como poderíamos possuir um sistema de ensino que ajudasse a criar melhores possibilidades de ascensão social e igualdade de oportunidades? Como Anderson (1995) afirma, o neoliberalismo objetiva a desigualdade como fomentador de crescimento econômico (o que aliás não ocorre no geral), se essa desigualdade é um princípio de nossa sociedade (mascarado na maior parte do tempo), não teríamos como objetivar um ensino igualitário, mas é a partir deste ponto que concordo com Cortella (1998) e sua concepção de otimismo crítico, onde os educadores devem estar cientes da função política da escola (de reprodução do status quo), mas também se utilizando da “autonomia relativa” que a escola proporciona para realizar “inovações”. Ou seja, se grande parte dos educadores assumirem uma postura de defesa da igualdade, seria possível formar jovens com consciência política ao menos, e dessas futuras gerações poderíamos esperar uma busca pela sociedade mais justa bem mais concreta do que a da nossa atualidade. A frase do pensador liberal, Horace Mann, parece se encaixar bem neste pensamento: “...Mas, se a educação for difundida por igual, atrairá ela, com a mais forte de todas as forças, posses e bens, pois nunca aconteceu e nunca acontecerá que um corpo de homens inteligentes e práticos venha a se conservar permanentemente pobre...”. Embora romântica em demasiado, o que deve-se ressaltar é que se conseguimos dar aos subjugados e dominantes de nossa sociedade, a consciência do que ocorre na realidade, pode-se esperar uma transformação social, pois a parcela da sociedade que conhece o que ocorre, é muito pequena, o restante fica por trás do véu alienador do cotidiano ou da ideologia. Me recordo aqui das palavras proferidas pela minha dentista se referindo à candidatura de Lula, quando eu afirmei que no segundo turno votaria nele: “Eu pensei em votar no Lula, mas não sei, ele tem aquelas idéias malucas de socialismo, tenho medo do que possa acontecer...”, doce ilusão, mas aqui existe algumas questões muito importantes: o medo a que ela se refere, é o de perder seus bens? Seu padrão de vida? (é importante citar que ela visitou Cuba, e comentou sobre a pobreza). Essa posição é proveniente pelo desconhecimento dos pressupostos capitalistas? Ou ela é consciente da miséria, mas não pode sacrificar seus privilégios? Ou aceitou a idéia de que a riqueza está distribuída de acordo com o mérito individual?

Sabe-se que o padrão de vida das elites (e dos países ricos, como E.U.A.), não poderia ser sustentável se fosse comum à todas as pessoas, por volta de 70% dos recursos naturais mundiais são consumidos pelos E.U.A. Mas e se essa consciência política gerada no ensino conseguisse mexer com a moral de pelo menos parte satisfatória da elite? Já que as pessoas estariam cientes de que muitas outras estão passando fome para elas poderem passear de iate.

Por parte da população mais pobre pelo menos, essa consciência clara permitiria que se dissipasse a concepção de “ordem natural das coisas”, onde a desigualdade é atemporal, “sempre foi assim, ricos e pobres” e assim desaparecesse o conformismo. É comum ouvir no ônibus (e eu pego 4 por dia) pessoas comentarem “esses políticos são todos safados” ou “esses mendigos tinham é que levar uma surra pra deixarem de serem vagabundos e irem trabalhar”, a população pode reconhecer a ação do capitalismo na nossa sociedade através da criação de exército-de-reserva e das péssimas condições do sistema de bem-estar social (principalmente a saúde, onde posso afirmar com exatidão, já que sou usuário), mas ela não consegue relacionar um ao outro. É por isso que a educação pública representa a válvula de escape principal dos nossos problemas sociais, mas ela está severamente limitada. Quantas pessoas oriundas de famílias pobres, conseguem chegar na universidade pública? Quantas delas conseguem pagar uma universidade privada? Quantos cursos conscientizam seus alunos e não são puramente técnicos? Quantos alunos do ensino fundamental e médio adquirem alguma consciência política?

Embora a discussão política seja muito freqüente na Geografia, não creio que seja em boa parte dos cursos de nível superior, e é por isso que admiro a organização dos cursos de licenciatura na USP, que permite que essa discussão seja levada para os mais diversos setores do conhecimento acadêmico e os coloca frente a frente, mas embora, essa seja a faixa de alunos desejável para obter essa consciência (já que serão os futuros educadores), seria necessário que essa discussão se desse no nível do bacharelado em todas as áreas.

Por fim, devo ressaltar a importância dos movimentos sociais, essa forma de organização social é essencial para buscar mudanças na nossa sociedade, dado o alto grau de comprometimento do Estado com os interesses do capital. Eles também são capazes de prover a população com consciência política, e são outra válvula de escape para a nossa sociedade. Gonzáles Casanova (1995) chega até a afirmar que eles são os prováveis fomentadores de uma próxima revolução social contra o neoimperialismo, e Gohn ressalta a importância desses movimentos no Brasil ao reivindicarem ética, algo muito complicado no ambiente político brasileiro, com um histórico repleto de assistencialismo e outros problemas morais e éticos. A importância de certas ONGs na educação ambiental (tema com problemas de organização no sistema de educação), é relevante, e embora não se possa classificar todas como socialmente responsável, boa parte delas estão envolvidas com trabalhos sociais importantes.

Talvez o que possa mudar nossa sociedade para uma forma mais justa de existência nasça da educação formal e informal, através da conscientização dos diversos segmentos da sociedade, mas tudo isso dependerá ainda de uma coisa muito importante que existe no homem, e independe de educação, mas que a cada dia de existência nesse ambiente individualista, se perde um pouco: a bondade.


























Bibliografia



ANDERSON, Perry “Balanço do Neoliberalismo” In: SADER, Emir; GENTILLI, Pablo (orgs.), “Para além do neo-liberalismo”

Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1995.



CORTELLA, Mário Sérgio “A escola e o conhecimento: fundamentos epistemológicos e políticos”

São Paulo, Cortez, 1998.



CUNHA, Luiz A. “Educação e Desenvolvimento Social no Brasil”

Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1980.



GOHN, Maria da Glória “História dos Movimentos e Lutas Sociais”

São Paulo, Loyola, 1995.



GONZÁLEZ CASANOVA, Pablo “O Colonialismo Global e a Democracia”

Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1995



JACOBI, Pedro, NUNES, Edison “Movimentos Populares Urbanos, Participação e Democracia” In Ciências Sociais Hoje, 2, Movimentos Sociais Urbanos, Minorias Étnicas e Outros Estudos.

Brasília, ANPOCS, 1983.