quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Ética, profissionais de ética, e sociedade


A imagem acima mostra duas provas da disciplina de Ética e Responsabilidade Profissional, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Fatec-SP. As letras das alternativas escolhidas como resposta por mim estão à esquerda, as letras das alternativas "corretas", segundo a professora, estão à direita. "Poxa Lucas, você foi mal hein?"

Verdade, mas há um fator importante aí, essas provas são idênticas, fui reprovado da primeira vez que cursei a disciplina e quando fiz pela segunda vez, a professora aplicou a mesma prova. "Piorou! Você deveria ter ido bem melhor na segunda vez!" Poderia afirmar um incauto. E eu seria forçado a responder: Você deixou passar algo. Se as provas são as mesmas, como o gabarito pode ser diferente?

Não vou nem discutir aqui a metodologia de avaliação baseada em um maldito caderninho que deveria ser acrescido, aula após aula, de resumos de parágrafos e mais parágrafos da Constituição Federal, Código Civil, etc. O tal do caderninho é baseado no que é ensinado por um professor falecido chamado Pierluigi Piazzi, figura um tanto peculiar que afirma que Vigotsky, Piaget e Paulo Freire não produziam ciência de verdade, mas sim achismo. Se você duvida do que eu escrevi, trechos deste vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=z2xX0HkAfII aos 53 minutos) se proliferam pela internet, graças aos esforços de direitistas malucos. Não vou desqualificar o trabalho do tal professor, mesmo que ele desqualifique o dos outros, mas quero reforçar a postura autoritária, reacionária (no sentido daquele velho pensamento: "antigamente era muito melhor", o que pode ter razão parcial, claro, mas no caso das escolas antigas que são exaltadas no vídeo, quantas pessoas tinham acesso?) e megalomaníaca deste senhor.

Por quê quis ressaltar a postura deste senhor? Porque se assemelha à postura da professora da disciplina citada. De maneira muito mais branda, é verdade. Há certa temperança em seu comportamento no geral. Durante o semestre ela faz suas aulas expositivas e tira as dúvidas, após a correção das provas, ela muda a nota se um erro de correção é apresentado, enfim, age aparentemente dentro do comportamento esperado. O comportamento é ainda mais esperado quando se trata de uma professora de ética.

Porém, como já foi apontado, o gabarito é fruto do caos. Mais: quando fiz a prova substitutiva, sem entregar o caderno, a correção da prova foi abismal. Havia tantos erros na correção, que comecei a citá-los e ela começou a negar um a um, alegando que eu estava errado. Ela ainda indagou "Você não entregou o caderninho?". Deixando claro que ela reprovava de qualquer maneira quem não o entregasse (com uma metodologia, mal explicada para algumas turmas, em que a entrega do caderno somava dois pontos na média e a não-entrega SUBTRAÍA dois pontos na média, restava conseguir 8 na média das provas para passar com 6 na média. Algo que, com gabarito aleatório e correções enviezadas e apressadas, fica perto do impossível). Era aí que o viés autoritário aparecia, incompatível com qualquer ética.

A p1 era dividida em duas partes, alternativa e dissertativa. Era um show encenado. A parte de alternativas parecia uma prova de concurso de direito, exigindo uma 'decoreba' em nível épico, algo que não era passado em aula e que nunca havia sido dito que seria cobrado. A parte dissertativa era corrigida de forma mais branda, quando entregava as notas baixas da sala, ela dizia que a p2 seria totalmente dissertativa porque a turma foi melhor neste trecho. Mas a correção da p2 era mais bruta, sua nota era 'canibalizada' em cada questão pelo menor detalhe que "faltasse", para forçar a necessidade dos dois pontos oriundos do caderno.

Todo esse comportamento apontava que o gabarito inexistia. Não importava, porque ninguém saberia a resposta correta das alternativas se não mergulhasse a fundo nos diversos códigos recheados de 'juridiquês', toda essa encenação era irrelevante, bastava entregar o maldito caderninho e conseguir uma média 4. Lembra toda a encenação que certo juiz perpetrou recentemente devastando o meio político brasileiro e por consequência, a economia.

Para completar, a formação dessa professora era de bióloga e advogada. A aula era de Ética, que, tem muito a ver com legislação, mas na verdade era uma aula pura de legislação travestida de ética pelos vídeos de profissionais que abordam ética, que eram passados no fim das aulas. Ou seja, ela dava aula do que sabia, não do que deveria.

Tudo isto foi dito para explicitar o comportamento de uma professora de Ética. Mas não vamos parar por aqui. Os vídeos passados em aula eram sempre de Cortella, Karnal ou Clóvis, membros do atual Big Four de filósofos/acadêmicos popstar (adicione o Pondé à lista - embora eu prefira o Safatle, e sim, fiz uma alusão ao Big Four usado para nomear as supostas maiores bandas de thrash metal do mundo). Eu sempre me divirto vendo os vídeos do Clóvis, afinal, ele fala uma montanha de palavrões e aparenta ser o mais esquerdista de todos. Mas no fundo, no fundo, a mensagem dele é "se não gosta do seu emprego, saia, e ache outro". É algo muito bonito, mas com severas limitações nas sociedades em que vivemos, e se isso é passível de uma longa discussão, toda a ideia de ética que é passada nessas palestras e vídeos também é, porque estão entrelaçadas com todos os conflitos de nossas sociedades.

É claro que os filósofos/acadêmicos citados incitam justamente isso, uma discussão contínua da ética. Porém, as discussões da ética que abundam pelos meios de comunicação, principalmente as que surgem do Big 4 e do meio empresarial, dificilmente chegam em um ponto visceral importantíssimo: a quebra brusca do status quo.

Sim, porque a discussão é quase banal se isso não acontecer. Nossas sociedades bárbaras travestidas de democracias afundam mais um pouco dia após dia. Para quem realmente controla o poder no mundo, Karnal e companhia podem discutir e fomentar discussões nesse nível do raio que o for, pouco importa, as estruturas que os mantém estão lá, qualquer barbarismo necessário para mantê-las irá acontecer sem qualquer remorso. Basta ver a repressão brutal que ocorre hoje mesmo, em boa parte da América do Sul, às manifestações que surgiram, não de forma absolutamente consciente, contra os poderosos.

Karnal é um dos que deixa claro sua postura dissociada desse embate de forças (Pondé eu nem preciso citar, não?), no último vídeo que vi (https://www.youtube.com/watch?v=hPsqmVC1pMU), uma entrevista realizada pelo youtuber Cauê Moura, Karnal se declarou de centro. Isso certamente deve ter deixado mais esclarecido quem havia se abismado com isto:


A foto, que correu as mídias sociais como um meme virulento, foi tirada antes que a Vaza Jato começasse, mas a pergunta paira no plano Astral: Iria Karnal, hoje, tirar e postar essa foto publicamente? Talvez não, mas talvez sim. Veja, mesmo com figuras de centro/direita como Reinaldo de Azevedo batendo de frente com a bizarra Lava-Jato, é possível notar uma gigantesca condescendência da mídia e daqueles com poder de palavra na sociedade, para com Moro e seus asseclas.

Como isso pode ocorrer? É uma discussão para lá de longa. Basta dizer que ao redor de Lula foi construída uma imagem de supervilão fortíssima, baseada em sua suposta (suposta porque, por mais ridículo que possa parecer, ninguém provou nada de verdade) corrupção. Então, Moro, ao combater esse supervilão (por meios que, os referidos preferem usar uma venda nos olhos para não ver, também são corruptos), passa a ser super-herói, e não do tipo mutante, apedrejado, mas do tipo Vingador, aclamado. E a corrupção está ligada a quê? À ética, claro.

A ética é algo importante, afinal, trata-se da melhor maneira possível de convívio entre os membros de uma sociedade. Mas no cenário atual ela serve para quê? Ela serve como um daqueles selos de 'empresa amiga do meio-ambiente', basta que a mesma contrate um popstar da ética para fazer uma palestra e publique seu próprio manual de ética. Se vai pagar salários decentes ou explorar os trabalhadores até o talo, tanto faz.

Serve para construir heróis nacionais e manipular massas. Serve para desqualificar a violência, mesmo que essa seja oriunda daquele que não tem mais recurso algum para utilizar. Serve para se ganhar muito dinheiro e fama, e do alto de sua cadeira, enxergar de maneira 'naturalista' aqueles que rastejam por migalhas. Serve para defender um tal de estado democrático de direito, quando ele mal existe e nunca irá existir plenamente sem a ruptura do status quo. Serve para 'demonizar' a polarização e exaltar o centrismo travestido de ponderância, afirmando que a sociedade ideal deve ser construída pouco a pouco sem romper as estruturas de poder. Diga-me, você vê isso acontecendo no futuro? Vê uma alternativa pacífica de redistribuição de poder mundial? Eu gostaria muito que existisse, quem em sã consciência deseja guerra e derramamento de sangue? Mas a verdade é que é quase impossível, e digo quase apenas para ser otimista.

Karnal disse ter problemas com pessoas que matam, no vídeo citado. É compreensível, eu também tenho, é um dos atos mais relevantes sob o viés da ética, porque encerra a vida de outro e elimina totalmente a discussão do convívio. Ele diz isso, porém, ao se referir a Che Guevara.

Che Guevara para mim, até meus 39 anos de idade, era uma figura completamente desconhecida. Só o via em camisetas (muitas delas, vestidas pelos playboys 'revolucionários' da faculdade em que eu estudava, os quais incitavam em mim forte aversão). Talvez eu nem soubesse que era argentino e pensasse que era cubano, não me lembro. Isso mudou durante minha visita a Cuba, onde fui 'forçado' a 'conhecê-lo'.

Retornei de lá com a lendária nota de 3 pesos que portava o monumento a Che na frente e uma cena da tomada do trem blindado no verso. Ao mostrar para um amigo, o mesmo disse, "bem legal, por mim eu só tirava o Che. Estuprador f&*(#@#!"
Aquilo me deixou curioso, seria Che Guevara estuprador? Vasculhei a internet e além da opinião de direitistas malucos, encontrei uma matéria da Veja (uma matéria de direitistas malucos).


Graças à essa matéria, descobri que o autor do livro que foi usado como base, repudiou a revista, dizendo algo como: "Eu escrevi este livro justamente para contrapor as visões heróicas ou vilanescas que existem de Che."

Era o que eu queria, neutralidade pura não existe, e é fácil de notar os julgamentos que esse mesmo autor faz sobre Che durante sua escrita. Mas não era um fanático esquerdista ou direitista escrevendo.
Li então 'Che Guevara - Uma biografia', do estadunidense, Jon Lee Anderson (já adianto que não achei nada sobre estupro).


É baseado nessa leitura que agora surge a dúvida: Karnal tem problemas com Che, mas qual Che? Afinal, somos pessoas diferentes, parecidas, mas diferentes, durante o decorrer de toda nossa vida, porque mudamos. Gosto de pensar que existiram vários Lucas antes de mim, e espero que existam vários outros à frente.

Não pode estar relacionado aos Ches que foram racistas, homofóbicos ou machistas no decorrer de sua vida (se nos dias de hoje, é raro encontrar alguém que nunca o foi, imagine naquela época). Não, Karnal foi específico, ele tem problemas com o Che 'asesino' (como Che teve que ouvir muitas vezes em sua vida). Seria o Che asesino que matou durante a revolução cubana? Seria o Che asesino de espiões e traidores? Seria o Che asesino do paredón (ou malecón?)?

Em todas as situações, Che se comportava seguindo uma lógica de preto e branco que era respaldada pelo tempo-espaço em que estava. Uma revolução derruba um sistema, portanto as leis inexistem, são construídas durante a revolução. Em dado momento, Fidel teve que definir o que era punível de morte em seu exército. Fidel aliás, era muito mais brando do que Che.

O que fazer com inimigos capturados quando não há prisões? Soltá-los e correr o risco de que sua posição seja descoberta e você seja morto? Fidel fez isso várias vezes. Você já se imaginou nessa situação? Eu gosto de pensar que eu sempre optaria por prisões, mas é ingenuidade acreditar que seria possível.

Será que Karnal defenderia manter a ditadura de Batista? Manter Cuba como um capacho dos E.U.A.? Como o paraíso de criminosos? Não é impossível, visto que na entrevista ele brinca sobre preferir a monarquia à revolução francesa. Então ele não escolheria ativamente talvez, mas passivamente. É o que faz quando afirma que a grande maioria da população é centrista, que não se preocupa com o que não a afeta no cotidiano.

Bem, o nosso cotidiano é afetado o tempo todo pelas estruturas de poder. Pode não ser claramente perceptível essa escravidão moderna, e é totalmente admissível para quem não possui acesso à instrução ser centrista. Mas eu não consigo mais admirar essa intelectualidade 'isentona', não consigo ver como admissível você adquirir níveis cavalares de conhecimento e discursar de maneira velada a favor do status quo.

A ética para ser real tem que passar pela redistribuição de poder dos homens. Não é admissível se defender ética em regimes controlados pelo poder (isso inclui o stalinismo), pois ela é vazia. Para defender a ética verdadeira é preciso defender uma quebra total do status quo e sugerir novos meios de se produzir e viver em sociedade. Desse ponto de vista, Jacque Fresco tinha muito mais cacife para falar de ética do que Leandro Karnal.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Religião: Parte da Evolução ou Ferramenta de Poder?

Decidi escrever este texto após longos estudos sobre história e comparações entre religiões ainda existentes e religiões extintas (grande parte destas, consideradas mitologias). Embora religiões tenham se tornado ferramentas de poder ao longo da história, encontrei aspectos interessantes nelas, que passam relativamente longe das características que considero perigosas, ou praticamente negativas, como o dogma e a hierarquia.

O que é religião?

Após comparar diversas religiões (incluindo histórias religiosas e "mitos"), é possível notar semelhanças não só em suas características, como também em suas motivações, objetivos, questões etc.
As religiões não surgem apenas da necessidade de explicar a origem da humanidade, do mundo ou do universo nem de explicar seus destinos. Religiões também surgiram do contato com o inexplicável, muitas vezes, o contato com algo surpreendente por estar muito além da compreensão do ser humano.
Estar diante do que está muito além da compreensão pode significar vulnerabilidade ou fraqueza e isto exige alguma proteção e/ou evolução.
As proteções, que de um modo geral tomaram a forma de orações, objetos e/ou rituais, serviram (e para alguns indivíduos ainda serve) para os seres humanos se defenderem de seres hostis dos mais variados tipos, de eventos perigosos pouco ou nada compreendidos etc.
Além da proteção, existe a possibilidade de que doutrinas, filosofias e rituais foram desenvolvidos dentro de religiões com o objetivo de se alcançar o inexplicável ou o que está muito além da compreensão humana (algo como evoluir), daí desenvolveu-se processos de entrar em transe, seja com música, com ervas, com meditação etc.

Filosofia de Vida e de uma possível extensão da existência além da matéria

De fato muitas religiões abordam o tema da morte e a possibilidade da existência antes e depois da vida (material), afinal ainda hoje no século 21 não há provas de que a mente esteja situada no cérebro ou em alguma parte do sistema nervoso. Pensamentos, sentimentos e memórias só são acessíveis por quem os têm e se tais elementos mentais (psíquicos) continuam existindo ou deixam de existir durante a inconsciência ou na morte, ainda é impossível de se verificar.
Isto pode tornar a significância da vida material igual ou até mesmo inferior ao (conceito de) pós vida / pré vida, muitas vezes chamado de existência espiritual, imaterial ou de outros nomes similares...
Mas nem tudo que está focado em se alcançar um "desejável" destino na existência além da matéria é inútil para a vida nas sociedades humanas. Na verdade algumas filosofias possuem preceitos notoriamente úteis e benéficos à maioria dos seres humanos:

As Semelhanças entre religiões

Embora as inúmeras características das religiões que surgiram pelo mundo as façam únicas e distintas entre si, muitas delas têm diversas características e elementos em comum. São algumas delas:

7 conceitos (entidades) do Zoroastrismo:
O zoroastrismo, ou masdaismo, foi uma religião monoteísta ou dualista (não há um consenso), que surgiu na antiga Pérsia (atual Irã) e foi perdendo sua força com a invasão árabe entre os século 6 e 9, que o substituiu pelo islamismo. Zoroastro dizia que existiam 6 ou 7 emanações de Aura Mazda (O Deus, ou o Deus do bem):
A(h)ura Mazda: (Lorde ou Espírito) da Sabedoria.
[Vohu] Manah, aproximadamente "[Bom] Propósito"
As(h)a [Vahishta], "[Melhor] Verdade / Justiça"
[Spenta] Armaiti, "devoção [sagrada]"
Xsathra [Vairya], "Domínio [Desejável]"
Ameretat, "imortalidade"
Haurvatat, "Totalidade"


(7 Tronos da) Umbanda Sagrada:
A umbanda surgiu separando-se do espiritismo no início do século 20, buscando resgatar elementos da espiritualidade yourubá, de culturas do oeste da África.
Oxalá / Logunan: Fé
Oxum / Oxumaré: Amor;
Oxossi / Obá: Conhecimento;
Xangô / Egunitá: Justiça;
Ogum / Iansã: Lei;
Obaluaê / Nanã: Evolução;
Yemanjá / Omolu: Geração.


Sefirots (ou zéfiras) do Judaísmo:
Estima-se que o judaísmo, a primeira religião monoteísta, tenha surgido na região do Levante (entre os atuais Líbano, Jordânia e Israel) por volta do século 18 antes de Cristo, mas alguns rabis e teólogos judeus citam que ele se iniciou nas tribos antecessoras dos hebraicos, entre 4000 aC e 3500 aC. Em algum momento da história surgiu a vertente mística do judaísmo (a data varia muito: entre o século 3 antes de Cristo até 14 depois de Cristo). Esta(s) vertente(s) dizem que Deus (incompreensível, que não tem forma humana) criou o universo através de 10 emanações que são 10 virtudes que o ser humano deve buscar desenvolver:
Kether - coroa (divindade, transcendente, eterna)...
Chokmah - sabedoria
Binah - entendimento/compreensão
Chesed - piedade
Geburah - julgamento/força
Tiphareth - beleza/harmonia
Netzach - superação/vitória
Hod - esplendor
Yesod - fundação
Malkuth - reino ou diversidade


7 Chakras de religiões hindus:
O hinduísmo é uma religião muito antiga - estima-se que tenha surgido na Índia, 3500 a.C ou antes. Muitas vertentes e seitas do hinduísmo surgiram ao longo da história, onde aparecem os conceitos de chakras, que todo ser humano tem e pode desenvolver para evoluir espiritualmente e moralmente:
Sahasrara - consciência cósmica (transcendência?)
Ajna - mente/conhecimento (entendimento e sabedoria)
Vishuddha - comunicação/verdade (julgamento e piedade)
Anahata - amor (harmonia)
Manipura - poder (vitória e esplendor?)
Swadhisthana - relações/sexualidade
Muladhara - estabilidade/vitalidade


Aqui farei uma comparação entre os elementos das diferentes religiões citadas:

O (Vohu) Mana (Bom propósito) do zoroastrismo pode ser interpretado como o pensamento e o objetivo de manter-se pronto para ajudar o próximo, perdoar etc... Isto pode ser comparado com o trono de Oxum / Oxumaré: Amor ou talvez, por se tratar da mente, com Oxossi / Obá do trono do conhecimento.  Este amor religioso e/ou espiritualizado não se trata de paixão ou desejo de possuir, trata-se de estar disposto a aliar-se e ceder à alguém. Um sentimento / comportamento mais próximo do conceito de ágape. Ambos podem ser comparados com o sefirot Tiphareth - harmonia / beleza. A beleza de Tiphareth não refere-se a mera beleza física e sim a uma beleza maior como o equilíbrio entre forças ou sentimentos / comportamentos distintos. Por fim Tipharet também representa um ponto de harmonia / equilíbrio entre o universo material e o imaterial / espiritual. Finalizando esta sessão há o chakra de Anahata que refere-se ao amor (harmonia) citado anteriormente; Todos estes conceitos de bom propósito, amor e harmonia foram, são e serão de grande importância na humanidade, para que exista o respeito mútuo, colaboração, paz, reciprocidade entre os indivíduos etc.

O As(h)a (Vahista) do zoroastrismo refere-se aos conceitos de Verdade / Justiça. Conceitos muito importantes na organização de sociedades desde a criação de regras até a aplicação de medidas corretivas ou punitivas. Na umbanda o trono da justiça é de Xangô / Egunitá, no judaísmo esotérico / cabala o sefirot é Geburah: a necessidade de julgamento e/ou severidade; Na filosofia / religião hindu o Vishuddha está relacionado à comunicação, ressaltando a importância da verdade e clareza nesta na busca por evolução e/ou pureza.

Xsathra (Vairya) Domínio (desejável) refere-se não ao "poder pelo poder" ou à mera conquista. O domínio (desejável) possivelmente refere-se à lei para organizar a relação entre as pessoas e talvez também à lei sobrenatural / espiritual. Esta última não seria muito diferente de leis naturais pois indica que os pensamentos e intenções de um indivíduo determinam seu destino. Na umbanda sagrada o trono da lei é de Ogum / Iansã. No judaísmo, embora possa parecer que a lei / domínio seja representado pelo Geburah, é possível que na verdade, Netzach represente tais conceitos. Netzach não é apenas a simples vitória, é a superação das dificuldades, ou o desejável domínio de uma situação ou domínio sobre possíveis males. Nas filosofias/ religiões hindus estes aspectos são representados pelo chakra Manipura (Poder). Enfim estes conceitos não estão relacionados à lei  burocrática, mas a lei que dá força ao ser humano para superar dificuldades e dominar situações.

(Spenta) Armati ou (Sagrada) Devoção refere-se ao empenho no bem e possivelmente à criatividade para viver (na Terra) o caminho do aperfeiçoamento e da benevolência (harmonia). Este conceito é mais difícil de atrelar a um sefirot do judaísmo, trono da umbanda e chakra do hinduismo. Poderia ser representado por  Anahata- amor (harmonia) ou por Ajna - mente/ conhecimento (entendimento e sabedoria), mas talvez esteja submisso ao chakra do poder, Manipura. Na umbanda sagrada um dos tronos com característica similar à sagrada devoção é o da Fé (Oxalá / Logunan), embora o trono do amor seja de Oxum / Oxumarê. No judaísmo, seu sefirot deve ser Hod, o Esplendor que está ligado à oração e submissão em contra parte à vitória / domínio de Netzach.  Isto faz sentido tendo em vista que o judaísmo valoriza os "2 lados" diferentes de uma moeda (Netzach, a Vitória/ conquista e Hod, o Esplendor/ submissão) enquanto o zoroastrismo abraça apenas a devoção sagrada (oração / esplendor), rejeitando ou menosprezando a conquista / o domínio que representa seus rivais, os (semi) lendários povos Tar de suas histórias sacras.

O Haurvatat que significa Totalidade também pode ser difícil de se comparar aos conceitos de outras religiões. Embora o termo totalidade pudesse se referir à ideia de transcendência ou onipresença, estes representados pelo sefirot do Kether no judaísmo e pelo chakra de Sahasrara no "hinduísmo", os persas relacionavam Haurvatat à saúde e prosperidade. Estes 2 conceitos muito ligados à vida (material, é claro), significa que nas demais religiões Haurvatat pode ser equivalente ao Malkuth (Reino, mundo material, vida) no judaísmo e ao Muladhara nas filosofias/ religiões hindus. Mais difícil ainda deve ser comparar este conceito da totalidade do zoroastrismo com os tronos da umbanda sagrada. Talvez tenha algo em comum com o trono da evolução de Obaluaê / Nanã, já que é comum das religiões esperar uma evolução do ser humano para que este alcance um estado de harmonia entre corpo/ mente/ espírito e/ou transcendência...

Ameretat, a Imortalidade do zoroastrismo estaria conectado ao trono da Geração (de Yemanjá/ Omolu), ao Yesod do judaísmo e ao Swadhisthana das filosofias/ religiões hindus; Embora Ameretat represente a imortalidade, esta entidade está bastante vinculada às plantas e ao conceito de bebida divina / sagrada como o haoma. Como não existem seres humanos imortais (ou se existem, a maioria da humanidade não sabe de tal fato), seu elo com os conceitos do trono da geração (Yemanjá/ Omolu) e com o chakra Swadhisthana da sexualidade / reprodução, é facilmente percebido. O judaísmo praticamente não aborda estes temas da geração / sexualidade / imortalidade, ou aborda de maneira muito sutil, pois seu sefirot, Yesod, representa a "fundação" que permite o movimento de uma coisa, ou condição, à outra e o poder de conexão.

A(h)ura Mazda, o lorde da sabedoria / inteligência é o mais alto espírito do Zoroastrismo. Pelo seu posto superior ele pode ser comparado com o sefirot  Kether e com o chakra Sahasrara. O Kether é o mais alto sefirot, também significando coroa real ou regencial. Ele situa-se acima dos sefirots da sabedoria e do entendimento/ conhecimento. O Sahasrara (1000 pétalas) é o mais alto chakra, ou o chakra da coroa relacionado a um estado de "pura consciência".

Embora pareça fácil conectar Ahura Mazda do zoroastrismo com o Keter do judaísmo e com Sahasrara "do hinduísmo", é mais difícil estabelecer tal conexão com a Umbanda sagrada. O nome de Aura Mazda (que significa lorde do conhecimento) invoca uma semelhança com Oxossi / Obá, do trono do conhecimento. Também vale lembrar que o chakra do conhecimento e da mente, na verdade é A(j)na, que está abaixo de Sahasrara nas filosofias / religiões hindus.



Imagem meramente ilustrativa listando os 7 conceitos, as 10 zéfiras, os 7 chakras e os 7 tronos (notem que as 10 zéfiras, excluindo o Daat que é um espaço, estão distribuídas verticalmente em 7 níveis)


Apesar das diferenças é possível notar diversos conceitos semelhantes entre estas religiões. Estas semelhanças não são obras do acaso, pois estão relacionadas a conceitos importantes nas sociedades humanas ao longo da história: Sobrevivência (fertilidade sexual, saúde, plenitude e perpetuação da espécie), clareza nas relações e comunicação (verdade), força (domínio sobre adversidades, superação de problemas), justiça (distribuição dos direitos, deveres, busca por equidade), lei (organização social, defesa da maior parte da comunidade), harmonia (respeito mútuo, lazer, paz entre comunidades) e conhecimento (busca por aprendizado e entendimento das forças da natureza e do universo).

Mesmo com todas estas características notoriamente benéficas as religiões, em algum nível, foram corrompidas por pessoas interesseiras e egoístas, em vários momentos da história da humanidade e ainda o são. As religiões citadas neste texto, assim como outras religiões, buscaram solucionar diversos problemas, bem como a economia e suas regras tentaram resolver problemas relacionados às trocas, às atividades produtivas, aos bens, serviços e seus respectivos valores e a política tentou resolver problemas sociais, de representividade numa nação ou estado, direitos e deveres dos seres humanos etc. Porém tudo é passível de corrupção: religião, economia, política, militarismo, comunicação etc. Cabe a cada um de nós escolher evoluir e tentar entender cada vez mais dos seres humanos, suas sociedades, o mundo onde vivem, o universo... Ou não.

Os que escolhem não evoluir podem levar uma vida insignificante ou incomodar e prejudicar o maior número possível de pessoas no mundo...

domingo, 2 de setembro de 2018

A Crise de 1929


Esta é uma minúscula reflexão sobre o documentário "A grande crise de 1929" que foi proposta nas aulas da disciplina de Auditoria de Sistemas, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Fatec São Paulo. As reflexões devem ser feitas sob a óptica de ética no trabalho, e realmente, é um assunto fácil de abordar, com os "vilões" apresentados e as consequências nefastas de suas ações causando miséria por todo o globo.

Entretanto há algo muito mais grave que é denunciado no documentário e obviamente direcionado para uma realidade que ocorria em um período muito mais próximo, referente ao estouro da bolha imobiliária e a crise de 2008, que é a própria crise cíclica do sistema capitalista.

Para completar a importância de se discutir tal assunto, o vídeo que surgiu automaticamente para mim logo depois do término deste, era o de um youtuber (começo a enxergar youtubers como entidades "involucionárias" da espécie humana) afirmando que a crise de 29 foi causada, na verdade, pela intervenção do Estado, e que o que se afirma no documentário é um mito. Obviamente parei a execução do vídeo antes que fosse obrigado a sanitizar meus ouvidos.

O risco de colocar a discussão da ética acima da própria crítica ao sistema financeiro capitalista, e que é prática comum aqui no Brasil se pensarmos no paralelo do discurso anticorrupção que é colocado nos meio de comunicação acima de todas as outras críticas, é que passa-se a esquecer a reflexão sobre a ética do próprio sistema de produção que nossas sociedades adotam.

Tal prática corrobora inclusive para a disseminação desenfreada de discursos neoliberais como este feito pelo tal do youtuber, discurso este que pode ter sua própria ética questionada. Se levarmos em conta somente o documentário em questão, quem são os defensores mais ferrenhos da 'mão invisível' no vídeo? Mitchell, Morgan, etc. Todos de ética questionável.

O que é a ética, se não um valor essencial para o convívio em sociedade? Trata-se de respeito mútuo e do entendimento que não posso matar o próximo e colocá-lo na panela para o jantar. Princípios básicos que servem para diferenciar homens de animais, mas que o pensamento neoliberal parece ignorar, fadando-nos a repetir os erros do passado através de dissimulação.

A economia capitalista tem crises cíclicas, o que ficou conhecido entre alguns acadêmicos como 'Ciclos de Kondratiev', termo oriundo dos estudos do economista Nikolai Kondratiev.

Um discurso que prima pela não-intervenção na economia chega a ser antiético, pois isso só pode resultar em crises cíclicas muito mais agudas.

A mesma mentira que foi contada ao engraxate em 29, é contada hoje exaustivamente, um discurso para manter o status quo, enquanto a ética é defendida de maneira hipócrita.

sábado, 7 de abril de 2018

O espetáculo da morte pública


Vocês já assistiram aqueles filmes de bangue-bangue em que o povo se reunia ao redor das forcas e vibravam com as execuções públicas de criminosos? Eu já ... é o que ocorre hoje no Brasil. Eu tento me imaginar participando de uma celebração social dessa estirpe. Claro que o alvo para mim seria o Aécio, talvez  Alckmin ou Dória, políticos que eu vejo como seres humanos que não se importam com os outros, ou eles tomam as medidas que tomam por ingenuidade (difícil de acreditar) ou 'legislam' em causa própria ou dos aliados, verdadeiros mercenários que honram seus honorários apenas para aqueles que colocam dinheiro em suas campanhas e não para aqueles que votam neles. Faz sentido, pois as pessoas votam conforme a opinião formada e em uma sociedade capitalista a opinião é formada conforme o dispêndio (investimento talvez fosse o mais correto) de dinheiro.

Eu tento me imaginar em uma celebração dessas ... em um prostíbulo ... quem sabe o 'empresário' disponibilizasse parte de seu 'capital humano' durante a celebração para nós celebrantes usufruirmos. Não sou tão diferente desses antipetistas assim ... mas há um sentimento virtual de vazio, estou celebrando o quê? Em uma situação hipotética de uma 'ditadura bolivariana', o estado de direito conspurcado por magistrados comunistas de toga ignorando a própria constituição para aprisionar Aécio, rei da farinha, tal situação causaria assim tamanho orgasmo emocional?

A resposta é não. Veja bem, eu não sou um defensor ferrenho da democracia ou das instituições, mas sou um defensor do acordo que uma sociedade promulga. Se em nossa constituição, o julgamento de nossos inimigos políticos são diferenciados, e isso foi previsto e acordado, ok. Um novo acordo social pode rediscutir se isso é justo ou não. Mas se nosso herói de toga comunista decide executar o Aécio, sem isso ser previsto pela nossa constituição bolivariana, qual é o limite?

Quem é o próximo? O cara de centro? Depois o cara de esquerda? Depois o maluco que xavecou a filha do herói de toga? Depois a empregada que denunciou que o herói de toga a encoxou na cozinha? Estou comemorando por quê? Porque agora o Aécio não pode mais ganhar a eleição e destruir o país? Mas se o herói de toga foi arbitrário, quem garante que quem ganhar a eleição não vai ser enforcado pelos heróis de toga? Ou pior, pelos heróis de farda que pressionam os heróis de toga? Santos do pau-oco, como diria minha mãe.

Eu acho que o Lula é um mercenário também, em escala menor do que aqueles que citei anteriormente, e respeito quem acredita nele, ou acredita que ele decidiu fazer o possível, ou que acredita mesmo que Dória é gestor e não político, que Alckmin visa o bem maior com medidas neoliberais. Mas eu não respeito você que é hipócrita. Não respeito quem não reconhece as próprias limitações éticas, que profere suas maldições aos políticos corruptos mas finge não reconhecer seu ranço interno contra o personagem X.

Vocês lembram de algum evento quando Maluf foi para a cadeia? Alguém soltou fogos? Bateu panela? Por que odiar uns e outros não? Nós podemos refletir como nosso ódio foi construído no decorrer da nossa vida. Acho que muito disso foi absorvido no nosso dia a dia sem ao menos perceber. Seu pai falando do Luladrão, o Jornal Nacional dedicando X minutos diários de exposição de casos de corrupção do partido Y. O quanto você odeia aquele personagem por você mesmo? Por reflexão interna? Por analisar as medidas tomadas por aquele governo, sem levar em consideração a maioria das opiniões ao seu redor?

No fim, os players reais desse jogo de tabuleiro estão muito longe de nossa realidade, e sua opinião de merda, assim como a minha, não tem relevância alguma, pois só representamos alguma ameaça a esses major players se estivermos unidos em um objetivo que batesse de frente com o deles, algo impossível de acontecer se você não enxerga além do próprio umbigo e do quanto você merece que seus méritos e esforços sejam protegidos, afinal você não é um vagabundo, é um cara esforçado e inteligente, está obviamente acima de quem é preguiçoso e mal-intencionado ... no fundo, você é um nada para os major players, assim como eu, então aproveite a comemoração.

P.S.: A linguagem formal é desnecessária quando não se tem a pretensão de demonstrar respeito.
P.P.S.: Não acho que Lula seja um gigante, mas acho que Moro é um anão moral.

Nota 1 dia atrasada: É claro que eu estou me referindo a isso aqui:

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A sociedade e a inteligência artificial

'Machine learning' é a expressão do momento. A inteligência artificial deixou de pertencer à área de ficção científica e adentrou nossa realidade de vez. É incipiente (ou até insipiente) ainda? Com certeza. Mas diante experiências de empresas com I.A.s que conversam entre si, 'softwares' que aprendem a jogar Super Mario Bros, etc ... não há como negar que a I.A. terá um papel cada vez mais impactante, e que não podemos prever qual será a velocidade com que esse impacto ganha 'peso'.

E qual será a real importância disso? Toda importância do mundo. Nosso mercado de trabalho será (e já está sendo) drasticamente alterado, a automação de tarefas irá varrer diversas ocupações para o 'Limbo'. Isso não é propriamente uma novidade. Desde a revolução industrial temos um processo acelerado de melhoria de produtividade e rápido avanço da tecnologia que acaba resultando em menos vagas de emprego. Também há novas áreas de emprego, resultantes de novas demandas que essas tecnologias e novos mercados trazem.

Mas a I.A. terá um impacto muito maior e abrangente. Aqueles que procuram se informar sobre o assunto acabam guiando suas carreiras profissionais para adquirir conhecimento que possa ser útil em um universo cada vez mais preenchido por I.A.s. Programação ou habilidades de comunicação, podem ser áreas que irão demandar mais tempo para que as I.A.s passem a substituir humanos. Mesmo assim já temos experiências como drones que vigiam as fronteiras brasileiras e geram linhas de código em C conforme a necessidade, e atendimento automatizado ao cliente.

É fácil imaginar um futuro distópico vindo à uma velocidade galopante. Portanto é uma tarefa da sociedade discutir alternativas para evitar um rasgo enorme no tecido social. A crítica é uma ferramenta importante para sugerir soluções. Alguns teóricos, como Jacque Fresco parecem propor soluções disruptivas e extremas de novas sociedades com novos meios de produção e distribuição, mas quanto mais a tecnologia avança, menos impossíveis as soluções parecem, desde que exista vontade.

Algumas alternativas básicas, como o programa renda mínima, sugerido por um político de São Paulo (Eduardo Suplicy), começam a despontar como uma medida necessária na discussão internacional. Soluções semelhantes já tem apoio de figuras importantes, como o criador do Facebook, e começam a ser implantadas em alguns países.

Uma coisa é certa: a realidade está cada vez mais dinâmica, e mentes que se apegam ao status quo precisam se adaptar, ou ficar para trás.

P.S.: Reflexão feita em uma redação para entrevista de emprego.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

As diversas facetas de esquerda e direita e as confusões que causam

Para variar (termo irônico), estamos vivendo mais uma vez uma discussão estúpida sobre esquerda x direita, graças aos conflitos causados por neo-nazis americanos e à vontade de alguns setores da nossa sociedade de descolarem sua imagem dos 'extremistas'. Primeiramente vamos deixar bem claro: quem defende nazismo não sabe viver em sociedade. Se a pessoa não sabe viver em sociedade, ou ela se adapta ou é banida de alguma forma, pois (infelizmente, já que eu gostaria que cada ser humano tivesse o poder de criar uma dimensão paralela e viver do jeito que quisesse no seu mundinho) é impossível viver fora da sociedade. Pensamentos racistas, homofóbicos, eugenistas, etc, devem ser mantidos para você mesmo (o ideal é repensar suas crenças, mas eu defendo o direito de cada um poder ser canalha pelo menos dentro da própria cabeça).

Esse tipo de pensamento externado deve ser reprimido, pois nada virá dele além de conflito irracional (irracional porque não há como construir diálogo a partir de tais ideias). Se é permitida certa liberdade de expressão para ideias de ódio e medo, é permitido a evolução desses pensamentos até que ocorra ... bem, qualquer imbecil conhece essa parte da nossa história, uma entidade, que é difícil de ser categorizada como humano, matou outros que supostamente eram da mesma categoria que ele (humanos) simplesmente porque eram de outra etnia, ou de uma biologia diferente, ou com ideias adversas às suas.

Um desenvolvimento possível das ideias propostas no parágrafo anterior poderia ser: qualquer tipo de ideia que rompa com o status quo, com o sistema vigente ou ainda com a democracia devem ser reprimidas da mesma forma, já que ameaçam a ordem social. Esta pode ser a ideia por trás do projeto que um parlamentar peculiar lançou: banir qualquer simbologia ligada ao comunismo/socialismo. Eu preciso discordar dessa ideia por vários motivos, o principal deles é: o socialismo/comunismo visa reordenar a sociedade de forma igualitária, ou seja, em teoria, ninguém precisa morrer ou ser banido para a lua, e todos devem ter os mesmos direitos.

É utópico? Claro que sim, se fazer isso sem ninguém morrer fosse fácil o mundo seria outro. Conflitos resultarão em mortes, quem detém o poder nunca irá abrir mão facilmente. Entretanto o diferencial para o nazismo é este (reordenar a sociedade de forma igualitária). Que é o inverso do que o nazismo propõe, já que é baseado no eugenismo e acredita que certos humanos são melhores do que outros. O que é proposto é justamente uma sociedade de castas ou simplesmente o genocídio daqueles que são 'inferiores'. Na teoria, não há como ligar essas ideias diametralmente opostas. Já na prática, a diferença não é tão pura assim, e provavelmente a realidade cinzenta é que permite esse tipo de especulação estúpida de ideários.

Na prática, diversos sistemas de governo autoritários/totalitários surgiram com base no sistema vigente ou com bases revolucionárias. Governos totalitários tendem a formar aquela face monstruosa que a 'maioria' atribui a uma ditadura. A velha máxima, "o poder corrompe", poderia explicar o que acontece com os governantes da nossa espécie. Trotsky não morreu sem motivos. O poder deve ser viciante, pois quem consegue algum, quer mais e mais, os ideais parecem perder força, se é que existiram na mente de alguns, a dissimulação é uma grande ferramenta para angariar poder. A máxima serve para os supostos sistemas democráticos também, quem é brasileiro convive diariamente com os exemplos (expostos como feridas pela mídia quando a interessa).

Foi necessário desenvolver essas ideias para deixar clara a diferença entre nazismo x socialismo. Outra coisa deve ser deixada clara antes que possamos discutir as nuances de esquerda e direita: NÃO EXISTE GOVERNO COMUNISTA. Os países que assumiram nomes que empregam o termo comunista, poderiam ter a pretensão de um dia se tornarem um (país comunista), ou apenas gostavam da propaganda enganosa, todos esses países são no máximo SOCIALISTAS. De acordo com a teoria marxista, o comunismo somente poderia acontecer como etapa evolucionária final da sociedade, após o socialismo ter sido bem-sucedido no mundo. Não há comunismo sem a evolução global da sociedade. O comunismo como ideia se aproxima muito mais do anarquismo, pois a necessidade de um Estado seria muito menor do que é no socialismo. A diferença principal (entre anarquismo e comunismo) é que o anarquismo ignora as etapas evolucionárias propostas pelo marxismo.

Pois bem, a causa supremacista branca, poderia sim, surgir em um sistema totalitário de esquerda, afinal, há relatos de perseguição a homossexuais em regimes de esquerda, embora eu desconheça a existência de um grupo desses na esquerda (supremacista branco). E por que poderia? Porque a realidade não é preto no branco, as contradições fazem parte do tecido social, daí os diversos nuances de esquerda e direita.

A diferença entre direita e esquerda não é necessariamente a mesma diferença de um pensamento neo-liberal e um pensamento socialista (um mercado livre x um mercado completamente controlado pelo estado). Dentro do capitalismo, os economistas keynesianos defendem uma regulamentação do mercado pelo estado (uma solução proposta por Keynes no pós-crise de 29), e são considerados de esquerda. O surgimento dos estados de bem-estar social é pautado no keynesianismo, e estados de bem-estar social, são estados capitalistas considerados de esquerda. Entretanto, a ditadura militar brasileira era baseada em uma economia gerida pelo estado, sob forte intervenção, assim como alguns candidatos do período democrático, como Enéas, defendiam uma economia nacionalista, com regulamentação do estado, e todos são considerados de direita.

O ponto principal então, da diferença entre esquerda e direita, não está na regulamentação do mercado e na importância do estado, e aí voltamos láááá no começo do texto, quando discutimos a diferença entre socialismo e nazismo: a diferença é o que se quer priorizar a partir dessas políticas públicas, uma sociedade igualitária ou uma sociedade de castas (meritocrática ou não).

Veja, ao citar uma sociedade de castas eu não quero dizer que toda a direita é nazista ou eugenista, isso é absurdo. Os E.U.A. são baseados em uma sociedade de castas, eles pregam a liberdade individual e a meritocracia justamente como meio de um indivíduo subir nas castas. Países capitalistas também vêem a satisfação de seu povo de acordo com o tamanho de uma classe média, é considerado ideal uma classe média gorda, a casta que abarca a grande maioria do povo, pelo menos no discurso democrático capitalista.

Em teoria, como média de ideário, já que as ideias variam em um largo espectro, a esquerda visa diminuir a desigualdade entre essas castas (ou classes sociais), garantindo o mínimo para a casta mais baixa enquanto esse processo se desenvolve (uma das formas de medir essa desigualdade é o Índice de Gini). E a direita visa um fortalecimento da economia, o que, para alguns dentro dessa corrente, resultará em melhoria de vida para as castas mais baixas, já que as castas mais altas terão mais dinheiro para investir em negócios. Ou seja, para a esquerda, reduzir essas diferenças é justiça social, para a direita, inchar a classe média através da meritocracia é suficiente.

Discursos nacionalistas e protecionistas podem ocorrer nos dois lados do espectro político. Discursos de mercado livre ocorrem em parte da direita apenas. Discursos pró-globalização ocorrem na direita, mas sua contra-parte seria o comunismo utópico na esquerda, ambos acabam se chocando com os ideários nacionalistas. E discursos eugenistas, bem, não deveriam nem ser considerados, se você gosta disso, crie um mundo fantasioso na sua mente onde você é o ditador do mundo e deixe fechado até o dia da sua morte.

Enfim, se você quer descolar a imagem de seu grupo político dos manifestantes neo-nazis, não precisa criar falácia intelectual acusando os manifestantes de pertencerem ao grupo que você diverge, quando toda a história da sociedade nega tal fato. Basta enfatizar que o seu grupo pensa diferente desses boçais, assim como no grupo político oposto ao seu, deve haver indivíduos que querem descolar a imagem deles dos boçais que existiram por lá. Apoiar-se nos subterfúgios de nomes de partidos e críticas ao sistema vigente desses, é utilizar uma análise rasa como escapismo. Basta analisar quem Hitler perseguiu e quais as mudanças que ele aplicou na estrutura social de seu povo para a análise rasa esboroar. Ele fez reforma agrária? Extinguiu propriedade privada? Promoveu justiça social? A verdade é uma só, do ponto de vista econômico, a Alemanha se apoiou fortemente em um sistema capitalista nacionalista focado em desenvolvimento econômico, e do ponto de vista ideológico se apoiou em uma das maiores sandices que a humanidade criou, e que não deve ser tratado como direita, esquerda ou o diabo que o for, só como sandice mesmo.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Reflexão sobre tecnologia e sociedade

Meu professor de Sociedade e Tecnologia propôs que escrevêssemos um texto sobre sociedade e tecnologia embasado nos conceitos vistos em aula, sobre a seguinte reportagem:

Vai comprar roupa no Natal? Veja se sua loja favorita combate a escravidão



16/12/2016 



Leonardo Sakamoto







O ''Moda Livre'', aplicativo para consumo consciente de roupas, acaba de passar por uma nova atualização a tempo de ajudar os compradores neste Natal. Foram incorporadas 27 novas marcas e lojas à ferramenta, incluindo importantes nomes internacionais que produzem no Brasil, como as grifes Levi's e Calvin Klein, a Forever 21, além das esportivas Nike, Puma, Adidas e Reebok e marcas brasileiras relevantes como Farm e Animale (do Grupo Soma) e TNG, Osklen e Cavalera. Redes de lojas populares, como a Besni e o magazine Torra Torra, também foram incluídas.

Com a nova atualização, o App passa a contar com 101 grifes e varejistas em sua base de dados. Desde o seu lançamento, em dezembro de 2013, pela ONG Repórter Brasil, ela já teve mais de 50 mil downloads.
O Moda Livre avalia e monitora as ações que as principais empresas do setor vêm tomando para evitar que as suas peças produzidas no Brasil sejam contaminadas por mão de obra escrava. Além disso, oferece ao consumidor notícias sobre casos de escravidão contemporânea na cadeia de valor do vestuário nacional.
Faça o download gratuito do aplicativo para iOS (iPhone) e Android 
 Trabalhadores produzindo peças para oficina responsabilizada por trabalho escravo (Foto: MPT/Divulgação)
Trabalhadores produzindo peças para oficina responsabilizada por trabalho escravo (Foto: MPT/Divulgação)
A Repórter Brasil convida todas as companhias a responder a um questionário-padrão que avalia basicamente três indicadores: 1) Políticas – compromissos assumidos pelas empresas para combater o trabalho escravo em sua cadeia de fornecimento; 2) Monitoramento – medidas adotadas pelas empresas para fiscalizar seus fornecedores de roupa; 3) Transparência – ações tomadas pelas empresas para comunicar a seus clientes o que vêm fazendo para monitorar fornecedores e combater o trabalho escravo; 4) Histórico – resumo do envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo, segundo dados das autoridades competentes.
O histórico da marca ou da loja também é avaliado de acordo com pesquisa junto ao Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho a fim de verificar o envolvimento em casos de trabalho escravo.
As respostas geram uma pontuação e, com base nela, as empresas são classificadas de acordo com o que vem fazendo para combater a escravidão em três categorias de cores: verde, amarelo e vermelho. As empresas que não respondem ao questionário são automaticamente colocadas na vermelha porque equivale a obter pontuação zero no questionário.
O Moda Livre não recomenda que o consumidor compre ou deixe de comprar roupas de determinada marca. Apenas fornece informação para que faça a escolha de forma consciente. O aplicativo é fruto da apuração da equipe de jornalismo da Repórter Brasil e do design e desenvolvimento da agência PiU Comunica.
image3
Os escravos da moda – Nos últimos anos, centenas de trabalhadores – principalmente imigrantes de outros países sul americanos – foram resgatados produzindo roupas em situação análoga à de escravidão dentro de pequenas e precárias oficinas de costura brasileiras. A região metropolitana de São Paulo (SP) concentra a maior parte dos casos  já flagrados por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e procuradores do Ministério Público do Trabalho.
Quase sempre estas oficinas são empreendimentos terceirizados, que, não raro, produzem para grifes de renome. Há também flagrantes de trabalho escravo associados a pequenos varejistas instalados em importantes polos comerciais de roupas, como o bairro paulistano do Bom Retiro.


Pois bem, baseado nesta reportagem, segue o texto elaborado:

Não há como pensar a sociedade brasileira atual de maneira dissociada à tecnologia, essa é também, uma realidade mundial.

Uma tentativa desse tipo, seria equivalente a analisar o período pós-crise de 29 no Brasil, de maneira dissociada à industrialização, ou a colonização brasileira de maneira dissociada à agricultura.

Isso porque, esses modos de produção, e suas mudanças, são o cerne das mudanças da própria sociedade. Ou, como Toffler nomeia, essas grandes ondas de mudanças, seriam: a Primeira Onda, a revolução agrícola, que levou milhares de anos para se esgotar; a Segunda Onda, o advento da civilização industrial, que durou  apenas cem anos; e a Terceira Onda, ainda mais acelerada do que a segunda, e que altera nossa sociedade hoje, neste exato momento.

Essa Terceira Onda, segundo Toffler, traz consigo uma maneira de vida genuinamente nova baseada em fontes de energia diversificadas, renováveis; em métodos de produção que tornam a maioria das linhas de montagem das fábricas obsoletas; em famílias novas, não-nucleares; em uma nova instituição que poderíamos chamar de "casa eletrônica"; em escolas e corporações do futuro radicalmente modificadas.

É possível adicionar algumas características importantes à essa Terceira Onda, talvez menos inspiradoras que as citadas por Toffler: preponderância do capital financeiro sobre o produtivo, disseminação de mentiras pela web (ou, a era da pós-verdade), superexposição do indivíduo via digital (e suas consequências de julgamentos morais e bullying permanente), guerra midiática exacerbada (podendo servir de preparação para uma intervenção espacial), etc.

Essa sociedade, no meio da Terceira Onda, é essencial de ser compreendida para podermos avaliar os impactos que a tecnologia pode ter. Como o próprio Toffler afirma, essas ondas podem estar ocorrendo simultaneamente, em locais e sociedades diferentes, e é o que pode se constatar neste caso específico, onde discutimos uma tecnologia (um aplicativo para celular) que monitora trabalho escravo, duas coisas aparentemente anacrônicas, em um mesmo momento histórico.

Alguns autores utilizam os conceitos de Sociedade Industrial e Sociedade do Conhecimento, conceitos que não serão aprofundados aqui, devido ser possível traçar um paralelo desses conceitos com o que seria equivalente à Segunda e Terceira Onda. Mas mesmo autores que utilizam esses ou outros conceitos, acabam abordando esse anacronismo simultâneo, que ocorre com maior intensidade nos chamados países periféricos.

Essa característica é mais gritante em países periféricos devido à balança de poder econômico mundial, é um movimento intrínseco ao capitalismo, coerente com a tendência de concentração de renda. As sociedades detentoras de maior poder econômico, estão em sua maioria, pautadas em democracias, onde a pressão exercida por este sistema empurra as práticas mais selvagens de obtenção de lucro para os países periféricos. A velha discussão sobre as grandes corporações, as maquiladoras, a mão-de-obra barata, e o exército de reserva de trabalhadores, seria útil para esta abordagem, mas fora do escopo deste texto.

Basta dizer que, é compreensível, uma sociedade pautada em uma suposta democracia, com substancial poder econômico, não querer ver 'sujeira no seu quintal'. E algo que é inerente ao modo de produção capitalista, deslocar-se para as economias periféricas, onde o 'culpado' é o próprio ser humano dessa sociedade periférica bárbara e atrasada.

Nossa própria sociedade periférica bárbara e atrasada, 'terceiriza' os seres humanos bárbaros e atrasados: os escravos são 'pobres ignorantes' do nordeste, 'preguiçosos' bolivianos que não tomam banho, e vejam só, até mesmo os escravagistas são oportunistas coreanos.

O trabalho escravo é uma realidade brasileira, anacrônica (?) e atual. O ponto de interrogação anterior é uma reflexão sobre se realmente nos livramos do escravagismo na história brasileira. Políticos já foram investigados por trabalho escravo, empreiteiras, enfim, diversos segmentos da sociedade. Trabalho escravo que não ocorre apenas nos rincões, mas nas próprias metrópoles, debaixo dos nossos narizes empinados pela ignorância, insensibilidade ou credulidade no sistema vigente em que nossa sociedade é pautada.

Diante do impacto que é causado pela própria sociedade, do 'homem sendo lobo do homem', como é possível questionar o impacto desta tecnologia em específico? Pode-se considerar um esforço patético, criar um aplicativo para monitorar empresas de roupas? Sim. Mas a somatória de esforços patéticos, é o que resta a uma sociedade onde há um descolamento entre os segmentos populares e seus representantes na democracia (como é bem demonstrado no vídeo "A história das coisas"). Dessa somatória pode surgir algo no futuro (futuro/presente, já que estamos no meio de uma onda de ruptura) que se apresente como alternativa a um sistema controlado pelo lucro dos poucos que concentram a renda.

Neste ponto é necessário abordar um aspecto da cultura da nossa espécie: o ser humano é um ser gregário. Não há ser humano, sem sociedade. Isto está inserido no próprio conceito de cultura de Cristina Costa: uma certa ruptura com os instintos naturais, que permitiu o desenvolvimento de simbolismos, significações, inventividade e linguagem. Essa evolução de condição de animal natural, com reações baseadas no código genético, para uma espécie com reações mais complexas, essencialmente influenciadas pela sociedade.

É engraçado pensar que uma das principais características responsáveis por nossa evolução, o viver em sociedade, acabe criando uma sociedade baseada no individualismo, sendo que, ninguém é humano sozinho.

Parte intrínseca de nossa cultura é a tecnologia, desde a criação de técnicas, sua separação da filosofia e da arte, até a própria sistematização da ciência da técnica. Para muitos, nossa nova religião, aquela que salvará a humanidade. Que haverá capacidade para isso, parece cada vez mais inquestionável, resta a pergunta: Ela servirá aos individualistas que controlam a sociedade, e consideram nossa característica gregária de forma eugenista, ou servirá aos que vêem nossa característica gregária como o que realmente somos: dependentes uns dos outros?

Dessa resposta obtemos quais serão os impactos da tecnologia na sociedade. Hoje, em nossa sociedade brasileira, os impactos são fragmentados, paliativos ou danosos, conforme os ditames do capital internacional.

Enfim, ao analisar o fenômeno da Terceira Onda (ou mesmo um conceito paralelo como o de Sociedade do Conhecimento), têm-se a tecnologia com um peso importantíssimo nas dinâmicas sociais, mas essas mesmas dinâmicas sociais são indissociáveis do conceito de cultura, e da característica gregária da espécie humana. O que resta de barreira para que uma sociedade onde tecnologia seja voltada para essa dependência entre seres humanos, é justamente o sistema de produção comum ainda à Terceira Onda e à nossa cultura atual: o capitalismo focado no consumo e no individualismo. Se a Terceira Onda vai superá-lo, e alterar assim, radicalmente a nossa cultura, podemos esperar impactos melhores da tecnologia do que se o contrário acontecer, e o capitalismo continuar no cerne de ambas as coisas.

Bibliografia:

COSTA, Cristina. Introdução à ciência da sociedade. São Paulo, Ed. Moderna, 2010. Pg. 182 a 186.

TOFFLER, Alvin e Heidi. Criando uma nova civilização: a política da terceira onda. 6 ed. Rio de Janeiro, Ed. Record, 1999. Pg. 19 a 29.

A história das coisas. Vídeo acessado em: https://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw&feature=youtu.be